TERRA DE SOMBRAS


Nenhum de nós! - Outro que vem? - AQUELE!


- Seu nome? - Fora o meu, se lho soubera...


Só lhe sei o sorriso desigual


numa boca subtil que diz: Espera!


.


Mas não sei - nem sabeis - se é bem ou mal


ouvi-lo; ter, ao dobre dos seus passos,


suspenso o coração de amor fiel


e lágrimas de amor nos olhos baços.


.


Ontem, foi só por ele que nasci?


E amanhã, saberei porque vivi,


se nos for o viver seguir-lhe os rastos?


.


Boca selada, frio espelho de água...


- Irmãos! Porque é só minha a nossa mágoa,


se somos - eu e vós - lama dos mesmos astros?


.


In- Ilha Deserta, Editorial Inquérito, 1954


.


Ilustração de Manuel Ribeiro de Pavia

Comentários

  1. Amiga!
    Formidável!
    Abraço apertado! António

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    1. É amargo, este homem, mas tem uma força espantosa, não tem?
      Abraço!

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  2. Que saudade do Pavia. Artista maldito, passou as passas do Algarve e comeu o pão que o diabo amaçou: sem vergar.
    Onde foi buscar a imagem?
    Cumprimentos

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  3. Amiga!
    Cá te espero... Para ver editado mais um poema.
    Bom feriado! Abraço apertado! António

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    1. Bom 1º de Maio, amigo António.
      Já foi espreitar o poesiaemrede.no.sapo.pt?
      A entrevista ficou muito bonita.
      Abraço!

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  4. Cá estou a visitar o seu avo.
    Não conhecia a sua poesia, pelo menos não me
    lembro de o ter lido numa fase e que lia com

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    1. Obrigada pela visita, meu amigo. Estou a pensar publicar toda a obra dele neste blog. Vai ser obra, mas vou tentar! Só me falta o "Cruzeiro de Opalas" que data de 1918 e que foi o seu primeiro livro, ainda em Edição de Autor. Não sei se o conseguirei encontrar um dia, mas ainda não perdi a esperança...
      Abraço e um bom domingo.
      maria João

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  5. Olá Amiga!
    Passei reli e sinto-me fascinado com todos os trabalhos já editados...
    É para continuar...
    Abraço apertado! António

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    1. Tenciono continuar, mas não sei quando, meu amigo. Cheguei a um ponto de ruptura a vários níveis. Ando tão cansada que nem sei o que fazr primeiro. Já deveria ter escrito o meu discurso para a homenagem e nem tempo tenho para isso!
      Obrigada por gostar da poesia de António de Sousa!
      Abraço!

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  6. Olá Amiga!
    Está tudo bem consigo? Cá te espero com novos poemas.
    Bom fim-de-semana.
    Abraço apertado! António

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    1. Esteve tudo muito mal, por causa de um vírus, mas agora está tudo bem!
      Abraço!

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  7. Olá M. João!
    Esteja onde estiver seu Avô irá ficar orgulhoso em saber que a neta irá ter sua obra publicada.
    Abraços! António

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    1. Muito e muito obrigada, meu amigo! Lamento não poder publicar mais neste blog, mas a minha vida está muito complicada e eu estou certa de que o meu avô entenderia isso.
      Um abraço!

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  8. A figura feminina parece uma de um baralho de tarot...

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    1. Olá Daniel! Bem vindo ao blog do meu avô. Duvido que a figura esteja num baralho de tarot, sabes... é uma ilustração de um dos livros do meu avô e foi feita pelo Manuel Ribeiro de Pavia, um grande desenhador do séc XX que morreu quando eu tinha 5 anos. Era um dos "irmãos" do António de Sousa e foi o meu primeiro Mestre no desenho a carvão e tinta da China. É um daqueles artistas de quem se pode dizer, literalmente, ter comido "o pão que o diabo amassou"...
      Um abraço!

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