VERSOS DE UM DIA DOENTE


E sou eu afinal êste farrapo?


Que é dos meus olhos de menino-e-moço?


É isto só o coração, que eu ouço,


Aos pulos, no meu peito, como um sapo!?


 


Oh voz fadada pra falar de Deus,


Deixaste-me na bôca cinza apenas!


São estas mãos aquelas mãos pequenas


Que minha mãe erguia para os céus?


 


Já não sou, meu amor, o que tu amas.


- Esse a quem deste as tuas mãos leais


- Há que tempos morreu! - não volta mais:


Veiu o Diabo e atirou-o às chamas!


 


Hoje sou, na verdade, êste senhor


De falas mansas, a viver baixinho...


Roubaram-me de noite, no caminho,


A alma que me deu Nosso-Senhor!


 


In- PRESENÇA - Nº3


     Fôlha de Arte e Crítica


     Coimbra, 8 de Abril de 1927    

Comentários

  1. Olá bom dia amiga Poeta. Obrigado. Diz com certeza este senhor, por tu continuares a idolatrar a sua memória, apesar de ser isso que ele merece que tu faças, poucos são os que mesmo merecendo, tem essa sorte. Um grande abraço, e bom domingo. Eduardo.

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    1. Um bom Domingo também para ti, Eduardo. Tenho a certeza de que terias gostado de conhecer este poeta!
      Enquanto por cá andar tentarei sempre honrar a sua memória!
      Um abraço!

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    2. Olá amiga João. Sabes. Eu gostava e teria tanto orgulho em conhece-lo, como me orgulho de te conhecer a ti, e se não for antes, será no lançamento do teu livro vou ter o grande prazer de te conhecer pessoalmente, só se tal não for do teu agrado. Um grande abraço. Eduardo. P. S. As pesquisas já estão a dar fruto, irão aparecer lá para o princípio da segunda quinzena deste mês.

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    3. E eu cá fico à espera do resultado dessas pesquisas.
      Claro que ficas convidado para o lançamento, seja ele quando for!

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    4. Oi Amiga João. Não te martirizes por não teres ganho amiguinha, Há um ditado que diz: O que tiver que ser nosso, ás mãos nos há de vir parar. Quanto ás pesquisas elas ainda continuam, mas agora já vão um pouquinho melhor. Quanto ao convite o meu agradecimento desde já. Um Grande abraço de boa noite. Eduardo.

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    5. Um abraço também para ti. Parece que sou mesmo uma "sonetista da blogosfera". O prémio Poesia em Rede, no Sapo, esse ganhei-o! Os outros... nada.
      :(

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    6. Olá amiga João. Parabéns, Apesar de de ser pouco comparado com o que tu merecias, até mesmo o muito pouco consegue ser mais que nada. Que a fé e a esperança em melhores dias nunca te abandonem. Um abraço. Eduardo.

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    7. Sabes, Eduardo, eu fiquei tão feliz por ter ganho o "Poesia em Rede" que parecia uma criança aos pulinhos de alegria! Se o meu destino é ser "Poeta da Blogosfera" então eu darei o meu melhor e farei tudo por merecer esse "título"!
      Um grande abraço!

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    8. Olá amiga João. Eu fico felicíssimo por ti. Porque tu mereces, o grande problema é o que eu já te disse, são os malvados dos compadres tu tens que te vestir muito bem e aperaltares-te quando te vais candidatar e levares uma faixa que diga as tuas doenças, mostrares-te bem. Ou então arranjares lá um compadre no júri. Tu mereces mas para que a justiça se faça, é preciso que tu contornes as coisas. Estou a brincar, não te aborreças comigo por isso. E eu sei que tu és incapaz de usar esses subterfúgios . UM abraço.

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    9. Sabes, Eduardo, nunca gostei de me "aperaltar" muito... e também não ando muito nas "festas do croquette", embora procure ir a todas as reuniões da minha associação de poetas, mas só as que são aqui perto de minha casa. Mas isso faz parte de mim. Sempre fui muito agarrada à minha "toca", mesmo quando era novita. Se arranjasse uma "cunha" acho que ficava a odiar-me a mim mesma...
      Abraço!

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    10. Tu és como eu. A nossa dignidade, é importante demais, para poder servir de moeda de troca seja para que for. Sabemos que para sertãs pessoas isso de pouco vale mas vale para nós e isso é que importa. Um abraço. Eduardo

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    11. Sei que este feitiozinho se paga caro, mas eu sempre fui assim e fico contente por saber que tu também!

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  2. Olá cá estou eu outra vez. Tinha que ser. É só para te dizer que adicionei o poema e não só adicionei os dicionários. Agora só falta tempo para aprender a usa-lo. Um abraço. Eduardo.

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    1. Amigo, eu também ainda não tive tempo para aprender a usá-lo... como era gratuito e a poesia do meu avô tem uma ou outra palavra que caiu em desuso, pensei que seria um bom auxiliar. Mas hei-de acabar por aprender!
      Abraço!

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