AGUARELA


Passeavam, sempre moças-e-meninas


- luar nas mãos e um halo de miragem -,


lá na colina verde, entre a folhagem


dum bosque, cheio de águas e boninas.


 


Fêz-se-me em linhas lúcidas e finas,


lá na colina verde, essa viagem,


e colou-se-me à vida aquela imagem


das horas sempre virgens e meninas.


 


Ai, horas! Meus amores de ledo engano


ao desejo de um céu, que fôsse humano


como o consôlo morno de um regaço!


 


Ai, horas! Fogos-fátuos num espelho


onde me fico desmanchado e velho,


neste lasso vai-vem do mesmo espaço...


 


In "O Náufrago Perfeito", Coimbra, 1944


 


Imagem - "Dicotomia" - Aguarela e pena


               Maria joão Brito de Sousa, 2002

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