DESCAMINHO
Tinham-me dado um segredo.
Sabê-lo, sem mais ninguém,
era sofrer de alegria!
Amava-o! Tinha-lhe medo!...
Mas guardá-lo muito bem
era tudo o que eu valia.
Passei por terras estranhas,
não sei que penas de exílio
por amor dele. Depois,
que desoladas montanhas!
Que desertos sem auxílio!
Mas, deixá-lo! Éramos dois!
(Triste mas belo, o caminho!)
Certo dia, não sei quando
- se o lembro, mais se perdeu...-
chamaste por mim, baixinho.
Foste minha! Fui-me dando
até ficar todo teu!
Agora vivo a teus pés.
Não vejo mais nem decoro
o meu segredo esquecido.
Sei apenas como és!
E chamo, desdenho e choro
o meu caminho perdido!
In "Ilha Deserta", Lisboa, 1954
Imagem retirada da internet

Olá amiga João. Mais um belo poema que eu adicionei aos meus favoritos, é lindo de morrer. Um abraço deste amigo que te deseja todo o bem do mundo. Eduardo.
ResponderEliminarObrigada, Eduardo. Estamos quites! Também te desejo todo o bem do mundo a ti!
EliminarSabes que o IE me está a dar imensos problemas desde a noite passada? Acho que ainda estamos na pré-história das comunicações online...
Não posso prometer visitas a ninguém... mal consigo entrar nos meus blogs e, mesmo assim, só lá para a vigésima tentativa é que o consigo fazer... haja paciência!
Abraço.
Olá amiga Poeta. Não tenho nada para te dizer, a não ser que tu já disseste tudo. Haja paciência, tu o disseste.. Comigo amiga estás à vontade, só te peço que me vás dizendo que o defeito não teu, mas sim do p. c. É quanto basta para eu ficar tranquilo.. Um abraço Eduardo.
EliminarMas eu tenho milhões de defeitos, Eduardo... só que já me estou a habituar a distinguir entre os que vêem do meu "analfabetismo funcional" e os que vêem da "preguicite" da net. E, desta vez, foi mesmo a net que falhou...
EliminarAbraço grande.
PS- Gosto mesmo de dar estes abraços virtuais no final dos comentários!
mais um belo poema dum avô sensivel....e que bem ele os fazia...sim senhor poetisa , não há dúvida !!!
ResponderEliminarciao e inspiração qb baci
Inspiração sempre, Peter! É isso que me distingue de alguns seres humanos e me torna igual a tantos outros.
EliminarNão me parece que gostasse de viver sem ela. Nem me sei sem ela...
Baci.
Oi Maria
ResponderEliminarQuando vi este maravilhoso caminho, quis percorrer por ele.
Não pude deixar de comentar, mesmo debruçando de sono sobre as teclas.
Eu amei este e vou adicioná-lo.
Um abraço.
Este poeta faz-nos oscilar entre alguma nostalgia e uma certeza de algo que vem depois. Eu não o consigo ler sem me sentir transportada para os caminhos que ele vai traçando!
EliminarUm grande abraço e obrigada pela visita.