ARIEL


Ainda me lembro: Eu e Deus que me ouvia!


A minha voz enchia todo o Espaço.


Queria uma estrêla?... era estender um braço!


E era só para mim que o sol nascia!


 


Quem encheu de amargura e de cansaço


essa mágica taça em que eu bebia?


Quem fez baixar a noite ao meio-dia


e me apertou estas algêmas de aço?


 


Agora a minha bôca é toda um grito:


ah! nem beijos de amor podem calar


a saudade raivosa do proscrito!


 


E só desejo a calma dos heróis


na hora incerta em que me estrangular


aquela mão que há-de apagar os sóis!


 


 


 


In "Caminhos", Lisboa, 1933


 


 


 


 


 


 


 


 


 

Comentários

  1. Olá amiga Maria João. mais um belo poema que eu adicionei, à minha já larga colecção, de maravilhas poéticas. É muito belo este poema. Um abraço Eduardo.

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    1. Obrigada, meu amigo. António de Sousa tinha 34 anos quando editou este livro.
      Abraço.

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    2. Olá amiga Maria João. Que bonita, a idade dos 20 aos 40 anos. É a idade das grandes decisões. e a idade da verdadeira maturação Humana. A pesar de não faltar quem pense que aos 15/18 que já está bem madura/o é uma grande ilusão. Olha amiga Um bom Domingo e Um Abraço Eduardo.

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    3. Sabes o que eu sinto? Sinto que todas as idades são bonitas desde que haja objectivos! A saúde também ajuda, claro...
      Abraço grande.

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    4. Olá amiga Maria João. Tens toda a razão, todas as idades são muito bonitas, desde que as pessoas se sintam felizes, com a idade que têm. Um Abraço Eduardo.

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    5. Desde que as pessoas se consigam aproximar do conceito de felicidade que conseguiram atingir, sem dúvida, amigo.
      Abraço grande.

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  2. belo soneto ! O livro, está a sair ? Ciao. Bacio.

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    1. Não estou de posse do livro, Peter. Tem de o encomendar através do site http://autores-editora.blogs.sapo.pt/
      Ainda não sei quando será a sessão de autógrafos...
      Bacini.

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  3. Maria João,
    Quem diz que este e outros sonetos já têm mais de meio século? Minha amiga, eis a razão quando escreve "...De existir muito além do próprio fim!...". Ou estarei errado? Um grande abraço! António

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    1. Está muitíssimo correcto, meu amigo António. António de Sousa está a cumprir a sua parcela de eternidade porque "os Poetas não morrem".
      Um grande abraço.

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