MAIO


Cantam-me, ao sol de maio, os olhos tristes:


rouxinóis que se fazem cotovias!


A primavera dá-nos os bons dias,


e, então, meu Deus! eu sinto bem que existes!


 


Amigos meus, agora é tudo claro:


somos todos irmãos, abrem-se as rosas...


no espasmo das manhãs voluptosas


a luz espuma como um vinho raro.


 


Rolinha brava, a quem estás chamando?


Na doçura do ar, teu chôro brando


que saudosa tristeza não derrama!


 


-Vòzinha humilde como um beijo a mêdo,


como podes saber o meu segrêdo?


Porque me vens lembrar quem me não ama?


 


In "Caminhos", 1933


 


Imagem retirada da internet

Comentários

  1. Olha amiga eu nunca te quis perguntar pormenores do livro e nem quero que me contes, eu sei ler e tenho tempo se o arranjar, se não o tiver compro-o. Mas estou tão curioso de ler as tuas poesias no livro que não imaginas. Esta é mais uma que está, para falar a linguagem da moda, está fabolastica . Um abraço e tudo de bom para ti. Eduardo.

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    Respostas
    1. Obrigada Eduardo. Eu ainda nem vi o livro, mas há amigos que já o receberam e dizem que está muito bonito e muito bem encadernado. Sei que está dividido em cadernos temáticos, porque fui eu que fiz a divisão e a revisão e depois enviei tudo para a editora.
      Também tem um prefácio da Eva, dos escritos de Eva, que está muito bonito.
      Abraço grande.

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    2. Olá amiga João. Obrigado pelas dicas, mas agora centra as tuas atenções na bichinha que precisa de ti mais que não seja como apoio até ao fim. Um abraço Eduardo.

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    3. Estou cansada, amigo. Ela suja o chão todo, coitadinha, mesmo que eu passe a noite inteira a ir à rua com ela. Hoje, amanhã e depois tenho de ir ao veterinário, para ela levar soro na veia. Vomita os medicamentos para a diarreia.
      Abraço grande.

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    4. Olha amiga, eu nunca desejarei ao meu maior inimigo, se alguma vez os tiver, que ele passe o martírio que tu estás a passar, mas tu sabes compreender felizmente para ela. Um grande abraço Eduardo.

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    5. Tem de ser, amigo. É terrível, mas ela tem um longo percurso de vida e todos nós somos mortais enquanto por cá andamos. Tudo o que posso fazer é dar-lhe muito carinho e amor nesta recta final.
      Abraço grande.

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    6. Tens toda a razão amiga, é isso só que podes fazer por ela, e esperar que a hora dela chegue e sem alaridos. Um abraço Eduardo.

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  2. Oi Maria

    Não comentei todos porque agora é um tanto difícil sem blog, mas pude ler esta maravilhas do teu avô.
    Ele é magnifíco em tudo que escreveu. E quanto sentimental !

    Abraço

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  3. M. João
    É sempre um enorme prazer passar aqui algum tempo a ler tão bela poesia, acredite que dá para ler e reler já que não cansa... Um grande abraço! António

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