SENHORA DA MEIA-NOITE

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SENHORA DA MEIA-NOITE

*

 

 

Vens para mim, na treva, de olhos fundos;

A alma à flor do rosto, inquieta e triste...

E sinto em ti a dor de ignotos mundos,

Que em meus olhos outrora descobriste.

*

 

Os beijos que me dás são mais profundos

E falas-me do medo que sentiste

Quando os mochos piaram gemebundos

Naquela estranha noite em que partiste.

*

 

Aperto as tuas mãos - sinto-as geladas

E as palavras que dizes, ao meu lado,

Parecem-me longínquas e veladas...

*

Tens a estatura aérea, imponderável,

Mas se te abraço, sinto-me abraçado

Ao mistério da morte impenetrável.

*

 

Antonio de Portucale *)

 

In "Cruzetro de Opalas", Coimbra MCMXVI

 

 

Antonio de Portucale, pseudónimo de António de Sousa durante a sua juventude.

Comentários

  1. lindo poema, muito humano e cheio de sentimento! Beijinhos, bom fim de semana 🌷

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    1. Muito obrigada pela sua apreciação a este soneto de meu avô António de Sousa, Sandra.

      Perdoe-me o atraso, mas estou realmente doente.

      Beijinhos

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  2. O seu avô foi um grande poeta!
    Infelizmente pouco divulgado.
    Muitas pessoas ouvem, por exemplo, certos fados de Coimbra sem associar a letra a este Poeta!
    Faz muito bem em perpetuar-lhe a memória.
    Beijo,
    Ana Tapadas

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    1. Muito grata pelas suas palavras, Ana.

      Sim, o meu avô foi um grande poeta e um homem bom, com um profundo sentido de justiça.

      Outro forte abraço

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