CANÇÃO DE OUTONO

Lá por detás da janela,


aquela


a que tento subir há trint`anos,


rasa, a planície ecoa desenganos;


alto cintila a espasmos uma estrela.


.


E o forte castelo,


tão alto e tão belo,


da senhora-do-amor que é minha dona


é afinal de ripas e de lona


e o vento desfê-lo!


.


- Que importa que eu chame


e que ame ou não ame


o sonho dos sonhos que há tanto passou?


- Quem sabe o que eu quero,


quem sabe o que eu sou:


se santo, se infame?


.


-Quem compra, na praça


na praça do tempo que passa,


o sonho dos sonhos sem nome e sem fim?


-Quem quer uma rosa, quem quer um jasmim


dos reinos da graça?


.


E ofereço, de rojo...


(se fosse um despojo


de guerras e mortes!...Se fosse um tesoiro


de sedas e jóias e de dobrões de oiro!...


-Mas alma!?- Que nojo!)


.


Lá por detrás da janela,


voga, silente e frágil, uma estrela...



... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...


In -  O NÁUFRAGO PERFEITO


Ed - Atlântida - Coimbra - 1944

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