EXÍLIO



Cobriu-me de desprezo o dia pardo,


a flor azul do riso das donzelas,


o lento rio de águas amarelas


e o frio, que me pesava como um fardo.


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Meu sonho - voo tonto de moscardo


a tentear vidraças de janelas -


zoava de horas húmidas e belas,


morria seco e duro como um cardo.


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Sempre de mim a mim, nos meus caminhos,


pedindo em vão a esmola de vizinhos


e lume certo a um lar que não tem brasas.


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Menino triste, que já é demais,


sou de filhos, irmãos, mulher e pais


para esconder do Céu uns cotos de asas...


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In - Livro de Bordo - 1ª edição, 1950


Editorial Inquérito


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