REGATA
Memorando
Alice Freire F. de Oliveira
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O rio é longo os remadores são poucos
(cada qual leva ao lado os seus pecados):
uns vão gritando histéricos e roucos,
outros olham o céu como encantados.
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Voam, no alto, uns avejões de agoiro;
do mastro escorre o sangue da bandeira;
o escudo - uma cruz e um astro loiro -
parece o par de tíbias e a caveira!
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Que pesados os remos na água morta!
Que tristeza na voz do timoneiro!
- João Ninguém que fechou sua porta
e, afinal, se perdeu do mundo inteiro.
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Vai ao leme e não sabe o seu destino,
mas o seu nome, agora, é Toda-A-Gente.
Ali tem seu lugar desde menino
e a carta de prego é: - Para a frente!
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In - Livro de Bordo, Editorial inquérito, Lisboa, 1950

Olá Amiga!
ResponderEliminarEu li... E "...outros olham o céu como encantados..." e fico encantado a olhar (ler) cada poema deste blog.
Força!
Abraço apertado!!! António
Obrigada meu amigo! Este Poeta merece uma reedição!
EliminarMesmo que seja em blog! Até porque a ´poesia online será um dos grandes patrimónios da cultura literária do futuro, segundo creio.
Abraço!