POETA
Sinto-me, às vezes, muito mais perfeito
E fujo de mim mesmo, alucinado!
As coisas balbuciantes no meu peito
Tomam gestos à luz de um Sol doirado.
Eu, que sou tôsco, inhabil, imperfeito,
Tenho uma fé de grande iluminado
E julgo, assim, que sou mais um eleito
Pra crear com amôr não sendo amado!
Vim ao Mundo na hora mysteriosa
Em que o Mundo comunga a luminosa
Dôr duma Cruz que o crava, lado a lado:
E os meus olhos, que vinham para vêr,
Alongados pra longe do meu Sêr,
Deixaram-me, ante Deus, ajoelhado!...
In - "O Encantado", Tipografia da Renascença Portuguesa,
Porto, 1919
Ilustrações de Eduardo Malta

ResponderEliminarOI amiga Maria João: é tão bonita a forma como amas, e exaltas o teu ente querido. Ele te está com certeza muito grato, e muito orgulhoso da filha que tem. (QUEM TEM FILHOS TEM CADILHOS, TEM-NOS QUEM OS NÃO TIVER. QUEM TEM FILHOS AINDA VIVE, MESMO DEPOIS DE MORRER.) Um beijinho para ti amiga. Eduardo.
Fico contente por sentires isso, amigo Eduardo! Este homem era um coração de ouro! Tinha o seu mau feitio, de vez em quando, mas defendia as causas dos que nem dinheiro tinham para lhe pagar.
EliminarUm abraço!
Olá amiga Maria João. Eu por princípio digo aquilo que acredito ser correto. Quanto ao mau ou menos bom feitio, há um velho ditado que diz: Quem não se sente, não é filho de boa gente. E todos nós sabemos que o homem perfeito ainda está para nascer. Um abraço e bom fim-de-semana. Eduardo.
EliminarMas o meu avô só tinha 19 anos quando publicou este livro, "O Encantado". Ainda tinha a vida toda pela frente e muitos, muitos sonhos!
EliminarAbraço!
Olá amiga João. Essa é a prova bem viva de que a veia poética já tinha feito a sua apresentação e manifestado a vontade de mostrar até onde era capaz de ir. Um abraço. Eduardo.
EliminarTens razão, amigo Eduardo. Este homem já nasceu poeta!
EliminarUm abraço!