A DERRADEIRA MORTE DO ENCANTADO
O senhor-dos-óculos-pretos disse: Morreu!
Mas aquela rapariga meia-maluca
fêz-lhe uma coroa de flores
e beijou-o devagar.
Ele estava deitado, voltado para o céu,
vivo ou morto - a sonhar.
Passou um dia enorme.
O senhor-dos-óculos-pretos disse: Cheira mal!
(as abelhas bem sabiam que não
e diziam baixinho: -Dorme...
poisadas sôbre o seu coração.)
O senhor-dos-óculos-pretos disse: À cova!
Mas nem os coveiros ouviram.
A chuva mansa lavou-lhe o rosto
e colou-se-lhe ao corpo a lua-nova,
depois da benção so sol-pôsto.
(Do senhor-dos-óculos-pretos ninguém sabe.
Mas Êle, para sempre, ali ficou,
a dormir e a sonhar, com o mesmo sorriso.
- Há tanta coisa que não cabe
senão no Dia do Juízo!...)
In - "O Náufrago Perfeito" , Tipografia Atlântida
Coimbra, 1944
Imagem - Fotografia gentilmente cedida por "Fisga"
http://planeta-sol.blogs.sapo.pt/

este poema é deveras especial e a ilustração é incrivel.
ResponderEliminarPor acaso sabes onde fica esse monumento? As mãos... as mãos enormes, magnificas, abandonadas mas mostrando que já agarraram o mundo.......
beijinho
Não sei, Flor. Foi o Fisga quem me enviou a imagem e não mencionou o local. Só te posso dizer que é feita de areia. É incrível, não é? Eu tencionava publicar hoje este poema do meu avô e o Fisga envia-me esta imagem magnífica! Parecem feitos um para o outro, o poema e a escultura de areia.
EliminarUm beijinho!
Olha Flor, o Fisga informou-me que foi feita em Óbidos, em Abril deste ano.
EliminarOlha Flor, o Fisga informou-me que foi feita em Óbidos, em Abril deste ano.
EliminarOlá minha querida amiga João. Só tu, para me fazeres chorar de emoção. Mil vezes grato pela dedicatória, mas não era de todo esperada e nem merecida, afinal foi só umas imagens de construções na areia Estas construções na areia foram em Óbidos
ResponderEliminarEste ano de 2008-09-04 Se não está em erro Abril. Muito obrigado, Adicionei o poema aos meus favoritos. 2 em 1 por ser magnifico e por ser dedicado a mim.
Meu querido amigo, fico muito feliz por teres adicionado este magnífico poema aos teus favoritos, mas deixa-me dizer-te que fiz um outro modesto soneto especialmente para ti, no poetaporkedeusker.
EliminarChama-me "Mar, Céu e Natureza", as três coisas que tu disseste amar muito.
Um grande abraço!
Olá amiga João. Ó minha querida amiga. Eu não tenho como te recompensar, das tuas atenções comigo. Mas acredita que gostava muito de te poder ser útil, porque tu estás a ser de uma gentileza impar comigo, e eu não faço nada para o merecer, porque não sei o que posso fazer. Muito obrigado por tudo e que deus te acompanhe sempre e te proteja.
EliminarEntão não fazes, Eduardo? Tu lês, tu comentas e tratas-me com todo o respeito! Isso, para mim, é uma grande recompensa!
EliminarEm relação ao problema com a cx de correio, olha que está mesmo sério! Se fores ao Blog do Mail Sapo, vais ver que há uma quantidade de utilizadores que também não conseguem abrir o correio. Já dura há uns dias e nada de soluções, excepto umas instalações de outros browsers que eu não sei instalar neste PC... e mesmo que soubesse instalar, como não percebo nadinha de informática, não saberia utilizar.
Já me vejo grega com o Vista!
Um grande abraço!
Olá amiga. Tens que ter calma, porque há muita gente a queixar-se do mesmo e isto tem que levar volta, eu hoje estou desesperado também para conseguir comentar, e há comentários que eu acho são repetidos, e uma série de coisas que estão mal, temos que esperar. Isto tem que ter uma solução. Um abraço. Eduardo.
EliminarComigo parece estar tudo a melhorar. O único problema foi a enorme quantidade de correio acumulado que eu ainda estou a pôr em dia. Mas foi uma avaria das grandes!
EliminarAbraço!
Olá Maria João!
ResponderEliminarEste blog está cada vez mais espectacular... De certeza que seu Avô, onde quer que ele esteja, está orgulhoso da neta. Bem haja! Abraços! António
Eu hoje ando armada em "pescadora de comentários", António. A cx de correio abriu, de manhã, mas agora não...
EliminarMuito obrigada pelas suas palavras. Tenho a certeza de que ele está feliz por ver que os seus poemas continuam a navegar por aí! Um Poeta aceita a morte com dignidade, mas não concebe a morte dos poemas!
Um grande abraço!