CONFISSÃO


- Quem chama sonho a êste mêdo à vida?


- O que sabeis da luz, olhos fechados?


Ao que passa com passos renegados


Nem a morte perfeita é concedida!


 


Anjo? Demónio? Terra prometida?


Saudade duns deuses inventados?


Oh alma! Na balança dos pecados


O que importa, ao chegar, é a despedida!


 


Sai das portas do abismo um fumo lento:


Abre as veias de fogo o pensamento


(O céo nega e promete a madrugada...)


 


E o fôgo vai - ou vem? - à sua guerra!


Mas eu devoro em mim o céo e a terra:


Eu ou sou esta fome ou não sou nada!


 


Retirado de um recorte de jornal impossível de identificar. Pela ortografia penso poder afirmar tratar-se de um poema da juventude do poeta, provavelmente do início da segunda década do século XX.


 

Comentários

Mensagens populares