ENCONTRO


Marinheiro dum céu que me perdera,


com sete luas ao luar de Outono,


dos meus sonhos nenhum te concebera


nem te cantava a minha voz sem dono.


 


Adormeci. As tuas mãos de cera


desfolharam carícias no meu sono


e Deus, que da minh`alma se esquecera,


de teus beijos floriu este abandono.


 


Adormeci. À hora da partida,


à luz que os fortes bebem como vinho,


adormeci, para fugir à vida.


 


Vieste. Sei agora porque sou:


era sonhar - não ser - o meu caminho.


Fugi à vida - a vida começou.


 


In - "Livro de Bordo" , 2ª edição


       Publicações Europa-América, 1957


 


Imagem - Ilustração de Manuel Ribeiro de Pavia


 

Comentários

  1. estou a conhecer a obra do seu avô, que tem poemas lindissimos, o que significa que , quem sai aos seus....
    muito bonitos e profundos.gosto muito. baci

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    1. Ele era um homem excepcional! Duma ironia crua, capaz de auto-imolar, mas um grande poeta!
      Baci.

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