EXÍLIO


 


 


Nua, a minh`alma vinha de paisagens


como noivas, sorrindo nos seus véus.


Eu era um natural filho de Deus,


mas a vida cobriu-me de tatuagens.


 


O meu destino é feito de miragens:


à lua, sei de uns sonhos que são meus,


mas quando a sombra me devora os céus,


queima um fogo sem côr suas imagens!


 


Ai, amar como os outros! (Sem talento,


aberto o coração, as mãos leais,


a sorrir e a chorar de sentimento...)


 


Ter nos braços a paz de um corpo amado


sem este bruxo, este demónio aos ais


a pintar-me de deus crucificado!


 


In- "O Náufrago Perfeito", Coimbra 1944


 

Comentários

  1. OI Maria

    Está muito bonito. Este poema é teu ou de teu avô?

    Sabe que as vezes vejo semelhanças do "às escondidas" e "poetaporkedeusker, parece um entrosamento nas palavras.
    Sinto como se fose algo como um respondendo ao outro.
    Não leve-me a mal. ? E desculpe.

    É só um pressentimento.

    Um abraço.


    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Os poemas deste blog são todos tirados dos livros do meu avô e portanto da autoria dele. Quanto ao "às escondidas", eu própria me espanto, muitas vezes com a troca de ideias. Eu não conheço o poeta pessoalmente, mas por vezes, revejo-me nalguns aspectos da poesia dele. É quase como se ele estivesse a escrever no masculino e eu no feminino. Claro que ele é muito jovem em relação a mim, tem uma força mais "agitada" do que a minha, mas há muitas coisas em comum, sem dúvida.
      Um beijinho.

      Eliminar
    2. Oi Maria

      É assim mesmo que eu percebo entre vocês.

      E os teus poemas são também muito semelhantes ao do teu avô.
      Muito bonitos.

      Abraço.

      Eliminar
    3. Ele era mais amargo do que eu, Velucia. Mas partilhamos uma ironia muito nossa e um espontaneísmo quase compulsivo.
      Em relação ao poeta António Codeço, é realmente impressionante! Às vezes tenho a sensação de que ele está a responder a um poema meu, mas verifico que ele o escreveu umas horas antes de mim...
      Mas há uma coisa que nos diferencia muito. Eu costumo dizer que a poesia tem ADN masculino e feminino. A nossa não é excepção. A dele está carregadinha de ADN masculino e a minha de ADN feminino. A dele é mais forte e actuante, a minha mais serena e expectante.
      Abraço.

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares