TERRA DE SOMBRA


No meu coração há um lugar hostil


- uma terra sem nome,


nua


e brava,


onde um vento doido sua e cava


covas de sombra para a lua


e, há trinta anos (ou mais de mil?),


uivo de fome.


 


Há névoas baças  - entre uns penedos ,


cardos e urzes que ninguém come -


que se congelam e se condensam


em pobres limos e humidade...


Ai, vale enfermo de saüdade,


terra sem benção,


a um céu ruivo de ruivos mêdos,


negra de fome!


 


- o teu caminho que seja um vôo,


oh mal-amada! deixa que dome


o seu destino ou que se suma


a mancha torpe de veneno,


o inferno pálido e pequeno,


lá onde o inferno é lôdo e espuma! -


 


na terra de ninguém que  só eu sou,


eu, só, me ganhe ou perca à minha fome.


 


 


In O Náufrago Perfeito", Coimbra, 1944


 


 


Imagem retirada da internet

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