ANTÓNIO DE SOUSA (1898 - 1981) - CONTINUAÇÃO
(Outros títulos para além dos já apontados "Caminhos", 1933; "Sete Luas", 1943; "O Náufrago Perfeito", 1944; "Jangada", 1946; "Livro de Bordo", 1950; "Linha de Terra", 1951; "Terra ao Mar", 1954). A consciência da pluralidade e da conflitualidade do Eu, do que há neste de "novelo de vidas", de irresolvidas contradições, é um outro sinal claro da sua integração no Modernismo. a toldar essa consciência avolumam-se na sua poesia noções de culpa e pecado, muito intimamente ligadas à sua vivência do Cristianismo, não menos dramática do que a dum Régio ou de um Torga pela circunstãncia de ter por detrás de si a adesão a uma prática religiosa definida, a protestante. Esse dramatismo, acompanhado frequentemente por um gosto pelo traço deformante, autoriza a que, a propósito da sua poesia, se possa falar de expressionismo, comum, de resto, a grande parte dos presencistas, e cujo imaginário lhes chegou mais por via das artes plásticas e do cinema do que através da literatura expressionista de língua alemã. A este respeito valeria a pena transcrever na íntegra um dos seus mais conhecidos poemas, "A Derradeira Morte do Encantado" em que também não deixa de aflorar aquela "ironia lírica" a que o próprio António de Sousa se refere num dos seus poemas:
"O senhor-dos-óculos-pretos disse: Morreu!/ Mas aquela rapariga meia-maluca/ fez-lhe uma coroa de flores/ e beijou-o devagar./ Ele estava deitado , voltado para o céu/ vivo ou morto - a sonhar.// Passou um dia enorme./ O senhor-dos-óculos-pretos
disse: Cheira mal!/ (As abelhas bem sabiam que não/ e diziam baixinho: - Dorme... - poisadas sobre o seu coração).// O senhor-dos-óculos-pretos disse: À cova!/ Mas nem os coveiros ouviram./ A chuva mansa lavou-lhe o rosto,/ e colou-se-lhe ao corpo a lua-nova,/ depois da benção do sol-posto.// (Do senhor-dos-óculos-pretos ninguém sabe./ Mas ele para sempre ali ficou/ a dormir e a sonhar, com o mesmo sorriso./ - Há tanta coisa que não cabe/ senão no Dia do Juízo!...)"
Bibliografia: LOPES, Óscar, "António de Sousa", in Entre Fialho e Nemésio. Estudos de Literatura Portuguesa Contemporânea II, Lisboa IN-CM, 1987, MOURÃO-FERREIRA, David, "Sobre o itinerário de António de Sousa", in Presença da "presença", Poro, Brasília Editora, 1977, NEMÉSIO, Vitorino, "Poesia e Humor", in Conhecimento da Poesia, 3ª ed., Lisboa, IN-CM, 1997.
DICIONÁRIO DE FERNANDO PESSOA E DO MODERNISMO PORTUGUÊS,
CAMINHO
Coordenação
FERNANDO CABRAL MARTINS
Verbete do Professor Doutor
Fernando J. B. Martinho
AGRADECIMENTO:
Estou - mesmo - sem palavras para agradecer a todos os que directa ou indirectamente, com ou sem o meu conhecimento, colaboraram na concretização deste sonho e tornaram possível
o "REGRESSO DO ENCANTADO".
Muito e muito obrigada!
Maria João - poeta porque Deus quer

Olá Amiga Maria João. Que belo post . e que bela homenagem. És uma heroína da escrita. e do saber.
ResponderEliminarParabéns. Um abraço Eduardo.
Espera, amigo. Este post é só uma transcrição das palavras o Professor Fernando Martinho, que me deu a honra de o conhecer na cerimónia do lançamento. Não fui eu que escrevi senão essas palavrinhas no final!
EliminarOlha Amiga, se foste tu ou não eis a questão, mas a ideia de postar foi tua, e aí é que foi prestada a homenagem por inteiro. Vá lá deixa-me ganhar a bicicleta. Olha amiga que tenhas tudo o que mereces que a vida te dê, porque tu és uma guerreira na tua guerra, e mereces a vitória. Um Abraço Eduardo.
EliminarBem... se calhar tens razão! Eu devo ser mesmo guerreira para ainda "mexer" apesar destes apesares todos... leva a bicicleta, pois! Esta postagem foi muito simbólica para mim, sabes? Que melhor presente de Natal e aniversário lhe poderia eu dar?
EliminarAbraço grande!
O melhor presente é e será sempre, a homenagem que lhe prestas com prazer. Honrando a sua memória.
EliminarUm abraço e tudo de bom para ti amiga. Eduardo.
Eu também sinto isso, amigo. Sinto mesmo.
EliminarOlá Maria João. E que melhor homenagem tu lhes poderias fazer? eu acho que não há melhor. Um abraço e tudo de bom. Eduardo.
EliminarAbraço, Eduardo! Entra a sorrir!
Eliminar