PIZZICATO
PIZZICATO
*
Se me dou balanço,
danço
um baile cossaco
e saco
mêdo
às dobras do meu segrêdo
*
No meu caminho redondo
sondo
uns abismos de tormentas
bentas.
Faço
do meu delírio um compasso
*
Desfraldo na bujarrona
lona
dum cenário a sete-luas.
Nuas,
pedem-me bruma as cidades
a que me vou em saudades
*
Pelas casas do meu fato
ato
lembranças do sete-estrêlo.
Sêlo
usado
colo-me a um céu desbotado
*
Vou e venho,
lenho
no jôgo do mar azul.
Sul
ou norte,
Só certo aos rumos da morte
*
Suo e turvo,
curvo
os meus dias paralelos.
Belos
os versos,
para além dos meus reversos!
*
Talvez me chamem
e amem
o meu sabor vagabundo
mundo
e céu que me constroem.
Mas doem...
*
António de Sousa
In "O Náufrago Perfeito",
Editora Atlântida, Coimbra, 1944
*


Olá amiga João: Mais um para mim, novo estilo de rimas, mas tal como outros que já li muito engraçado.
ResponderEliminarParabéns E um abraço Eduardo.
Obrigada, Eduardo.
EliminarFeliz Natal!