LUAS


Lá fora o luar é um vendaval de luz,


como este amor desvairado


que nasceu numa hora de pecado


e há-de morrer numa cruz!


 


Lá fora o luar é um dilúvio de alvura:


o teu corpo arripiado


quando o tenho nos braços enleado


e os teus olhos são lagos de ternura!


 


Hoje fiz-te chorar. Eas tão linda assim!...


(Lá fora o luar pela noite sem fim


é um duende a correr por montes e quebradas!)


 


São luas, sabes, meu amor? Desejos


de te ferir para beber, aos beijos,


as tuas doces lágrimas salgadas!...


 


 


In "Caminhos", Lisboa, 1933


 


Imagem retirada da internet

Comentários

  1. Que lindo !

    É do teu avô!

    Parece que eu vejo a "paixão" dele.

    Só não sei se era ilusão ou realidade.

    Abraço.

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    1. Era assim mesmo, Velucia! Ele e a minha avó eram mesmo apaixonados! Ele tinha 34 anos quando publicou esse livro, estava na maturidade da sua paixão... mas era uma maturidade ainda jovem... ele entrou em depressão depois da morte dela. Nunca voltou a ser o mesmo, depois de ela partir.
      Abraço.

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    2. Oh Maria!

      Sinto muito!
      Por isso esses poemas dele tão sentidos.
      Se percebe em cada verso.

      Desculpe tocar no assunto e fazê-la relembrar.

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    3. Não faz mal, Velucia. Eu senti muito a morte da minha avò. Tinha só dez anos e foi muito duro, mas já passou tanto tempo, já morreu tanta gente da minha família depois disso... a minha mãe só faz três anos e meio que morreu. É a vida, a passagem...

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  2. Lindíssimo este Poema!
    Sabe?
    Eu já publiquei 3 livros, dois só de poesia e o último de prosa e poesia.
    Se lhe interssar envie-me a sua morada que terei imenso gosto em lhe enviar um exemplar do último intitulado: "Retalhos da minha vida"
    Estou a preparar o próximo...mas não sei ainda para quando. Não fora os gastos imensos das deslocações a Lisboa e Porto, idas aos médicos e exmes, e tinha sido em 2008.
    Será quando for possível!
    Beijinhos e bom domingo
    Chicailheu

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    1. Obrigada, amiga Chica. Enviar-lhe-ei o meu endereço por email. Eu nunca tinha tido oportunidade de publicar, embora tenha mais de um milhar de poemas (alguns nem sei onde andam...), mas agora já teno um livro no prelo. Se quiser ter a bondade de ir a http://autores-editora.blogs.sapo.pt/ encontrará um livro a aguardar lançamento. Não é esse o meu. Para ver o meu, entre no link "aqui" e clique onde diz: No prelo. O meu é o Poeta Porque Deus quer.
      Até já e um abraço.

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  3. Olá Amiga Maria João. Já tinha saudades de visitar o teu espaço. Mas tu sabes como é, eu sou pequeno levo mais tempo a chegar, mas valeu a pena, adorei, e adicionei aos meus favoritos. Um abraço. Eduardo.

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    1. Obrigada, amigo. Somos os dois pequenos, deixa estar... eu continuo mais lenta do que um caracol...

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    2. Olá amiga João. Deixa lá eu sei que há muita gente maior que nós, mas esses e essas, quando caiem, é cá com cada trambolhão que nem fazes ideia, porque vão mais tempo a ganhar embalagem. Um abraço Eduardo.

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    3. Tens razão, amigo! ainda bem que sou pequena...
      Abraço! :)

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  4. M. João
    Este cantinho continua maravilhoso! Abraços! António

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    1. Muito obrigada meu amigo. Não está a ser muito fácil porque ando muito lenta, mas vou fazendo o possível.
      Os seus cantinhos também são espeços poéticos por excelência! E tenho conhecido muitos novos poetas através deles.
      Abraço.

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  5. Desconhecia este poema....
    Adorei, lindo mesmo...
    beijo

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    1. Fiquei com a impressão de que já conhecia alguns poemas de António de Sousa... será só impressão minha?
      Abraço.

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