HORA DOENTE
Maldita a hora que me enruga a face
e estes olhos batidos pela luz,
esta mão despregada de uma cruz,
pedindo esmola à espera que alguém passe!
Nem saudade de amor que me queimasse,
nem o perdão mais doce de Jesus!
- Nenhum sonho da terra me seduz
nem a alma no Céu se lá ficasse...
Músculos de aço e de aço o olhar leal!
Fremente a bôca, um riso claro e moço
e a alma em jôgo para o Bem e o Mal...
Assim eu fui! - Amargos desenganos!
- Ah deixem-me chorar emquanto posso,
um deus morto: o meu corpo dos vinte anos!
In "Caminhos", 1933
Imagem retirada da internet

Olá amiga Maria João. É assim estou com pressa. Gostei e adicionei aos meus favoritos. Um abraço Eduardo.
ResponderEliminarObrigada, Eduardo. Eu estou com alguma dificuldade em termos de correio, mas é das reparações.
EliminarAbraço.
Maria João
ResponderEliminarNão tenho palavras para comentar a extraordinária beleza poética escrita por seu Avô. Não entendo o porquê de não haver editoras que reeditem os livros dele, enfim é a cultura que temos. Abraços! António
Obrigada amigo. Se tudo correr bem, penso que essa lacuna se virá a resolver em breve.
EliminarUm grande, grande abraço.