RENÚNCIA

 



Braços abertos, - vêde que sou eu! -


caminho para Lá, pelo meu pé.


Se é para o Céu que rola esta maré,


darei saudades vossas lá no Céu...


 


Enche-me a bôca - os beijos vão passados -


o gôsto amargo e forte da renúncia.


Perdôo o bem e o mal e essa denúncia


que o meu deus fez a Deus, dos meus pecados!


 


Tudo perdido e morto. A voz dum sino


sôbre a terra em que fui um rei-menino,


chama em vão a minh`alma que resiste.


 


Só tu me lembras, sempre misteriosa,


tua bôca divina e venenosa


a sorrir num sorriso frio e triste.


 


 


In "Caminhos", 1933


 

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