BOLAS DE SABÃO
Frágeis,
os meus minutos são
como bolas de sabão
coloridas e ágeis!
Quem as faz,
não sei porquê, afinal,
- se por meu bem ou meu mal -
é o mesmo que as desfaz...
Quedo-me a vê-las,
enquanto o vento balança
com espantos de criança;
choro, às vezes, de perdê-las!...
Que lindas cores! Quem há-de
não ter inveja de ser
êsse que as sabe fazer
em verdadeira verdade!?
Bolas de espuma
tal e qual como os mundos!
Duram, em vez de séculos, segundos,
mas a massa é tôda uma...
Esta, coitada!
tocou-lhe o Amor com o dedo,
morreu de mêdo
ou envergonhada.
Essa desfez-se ao pêso
dum chôro que não chorei...
Aquela é o reino do rei
do meu orgulho e desprêzo...
Leves e dobram-me os ossos
marcam-me a carne, destroem
certezas que se constroem
de rezas e padre-nossos!
Vejo-as sumir-se, nem sei
para onde ou para quê.
-É certo o que a gente vê?
Foram-se elas e eu fiquei?...
In "Caminhos", 1933
Imagem retirada da internet

"-É certo o que a gente vê?
ResponderEliminarForam-se elas e eu fiquei?..."
Ficou o que, sendo tangível, é demasiado para as húmidas translúcidas membranas que, desagregando-se num salpico d'água e ar, deixam perder pelo firmamento o que era e foi. Belo ou atroz, beijo ou lágrima; agora intenso, amanhã desvanecido e quiçá intenso de novo.
Bolas de sabão; castelos de cartas - constrói-se, perde-se, reúne-se revive-se...e mesmo isso é levado, calma e silenciosamente numa brisa obstinada e imparável: que vai e vem, dá e tira, roda e vira - o carrossel de voltas ilimitadas que não pára para ceder lugares mas muda intervenientes; a página que se volta enquanto não se revela a contra-capa e tornámo-nos somente o que fomos.
Obrigada pela sua visita ao antoniodesousa, Pedro.
EliminarDifícil será descrever-me neste preciso momento em que me sinto vazia. Morreu-me uma amiga esta madrugada.
Abraço.
OLÁ AMIGA JOÃO. Mais um belo poema daquele que te deu o ser, aposto em como tens pena, que ele não esteja cá pra ver. Adorei, e adicionei aos meus favoritos. Um grande abraço Eduardo. P. S. espero que o teu suplicio já tenha terminado.
ResponderEliminarO nosso suplicio terminou às 5.30h da madrugada, amigo. Ainda estou muito ferida, muito em carne viva.
EliminarAbraço grande.
Ó amiguinha, como eu gostava de te poder ser útil, mas sei que é uma coisa só tua e tu é que tens que fazer esse luto. Olha amiga chora sem medo ou vergonha, se chorares alivias a tua dor e eu sei o que isso custo, não sei se já te contei. Quando o meu sipo teve que ser abatido, eu tive que fazer parte da equipa de carrascos, ou seja, tive que o segurar para a veterinária lhe dar a injecção de misericórdia. Eu assim que o coração dele deixou de bater na minha mão, saí pela porta fora e fui para o carro chorar durante mais de meia hora, não tenho vergonha de te dizer que chorei lágrimas de sangue, e só depois voltei ao consultório para pagar. Por isso sei dar-te o valor assim como sou dar o valor à amiga Luísa quando ela passou pelo mesmo. Um abraço Eduardo.
EliminarAcredita, amigo, que ainda saí à procura de uma farmácia de serviço para comprar injectáveis que lhe pudessem aliviar a dor. Sei que ela teve dores nas últimas horas e isso doeu-me horrores. Não havia farmácias de serviço perto de minha casa e eu não podia dei~´a-la sozinha naquele momento. Nem quero pensar agora nisso.
Eliminarabraço grande.
por momentos foi como se estivess a ler florbela, alguns versos tem semelhança, mas mt bem, está mt bem feito =)
ResponderEliminarBoa noite, Posh. Não é Florbela, é António de Sousa e são simples redondilhas. Também as acho muito bonitas. Obrigada e seja bem vindo.
EliminarAbraço.
M. João
ResponderEliminarCá estou na minha visita domingueira. Seu avô tem uma extraordinária obra poética, pena que não haja quem faça a reedição de sua obra. Fique bem e tenha um bom Domingo. Abraço. António
Tenho estado no "Caminhos", amigo, mas em breve voltarei às outras obras, se a net me deixar.
EliminarAbraço grande e muito obrigada.