EU, PECADOR...
*
Corda que só ressoa
aos meus dias dispersos,
minha poesia
- se é poesia ir a dizer-me em versos... -
não pode ser gratuita.
Há entre mim e a vida
em que a procuro e me procuro
este medo da morte que me coa
*
Sou a tarde cansada
entre a manhã perdida
e a noite prometida
e prorrogada:
tropeço-me na voz
da ronda dos avós
que me passa no sangue, devagar
*
E da penumbra vaga
(vivo? não vivo?)
em que a minh`alma paga
ao deus... que não abre as portas,
espreito-me a tremer
- o poeta em mim é um preso fugitivo -
pé ante pé, horas mortas.
*
Ai, não saber o que sei
e perder-me do que dei
para melhor desdobrar
do meu Astro Velado
esse verbo final que é Ser-e-Estar!
(meus versos são meus passos de mendigo
e meu sonhar-acordado
dessa esperança de paz que me doei.)
*
Amigos
que viveis na alegria!
Inquieta e fortuita,
minha poesia
não pode ser gratuita.
António de Sousa
In "Linha de Terra", Lisboa, 1951


Descansa em paz, que a tua poesia nunca foi esquecida, e nem será. Pelo menos enquanto a Raiz que cá deixaste, se mantiver com algum suco. Parabéns amiga. E obrigado, por continuares a não te esquecer. Um abraço. Eduardo.
ResponderEliminarAbraço grande, amigo!
EliminarOlá amiga João. Se fosse a febre moderna, eu ainda te dava um abraço. Mas a uma pecadora, confessa? É complicado. Podias pelo menos omitir. Bom mas como já te conheço venha de lá o tal abraço. Eduardo.
Eliminar... qual febre moderna??? Queres ver que eu já "perdi o fio á meada"?! Sou pecadora, sou, mas não muito, penso eu... nem em actos nem em pensamentos. Eu não peco assim muito... acho que o dia em que pequei mais foi quando fiquei com vontade de dar um estalo na cara da pessoa que andou a pôr veneno para os pombos... que eu me lembre. E já lá vão uns dois anos...
EliminarO que é que me esta a escapar??? Ou "emburreci" ainda mais???
Abraço cheio de incógnitas...
Já estás a pescar, a pescar não, a pecar. Deus deu-te uma cabeça para usares em toda a sua plenitude. Vês como é? por isso nunca digas que não pescas. Abraço. Eduardo.
EliminarTu só por não usares a cabeça em toda a sua plenitude, já estas a PESCAR. Sim a PESCAR, quando tu não pescares, quem é que pesca?
EliminarNão senhor! Eu não digo, nunca mais, que não pesco! Pecar até peco, mas olha que é muito poucochinho!
EliminarAbraço grande :)))
É pá! Eu sei que sou burra, mas vou usando a cabecita o melhor que posso... :)) achas que não?
EliminarTadinha de mim...
Olá amiga. João. E para que querias tu pecar muito se depois não eras capaz de comer o peice tudo. Lá tinhas que andar sem poder a distribuir pelos pobrezinhos Já viste e tu sem poderes, tens tanto em que pencar. É melhor não pencares nisso. Um abraço Eduardo.
EliminarOlá amiga João. Agora acho que quem está a pescar mesmo mal sou eu. Mas olha amiga. Não choriço, por todos nós temos as nossas franquesas,,alem de que eu não te disse que tu não usas a cabacita, O que eu disse foi cabecita desculpa enganei-me era a cabacita que eu queria dizer. Só te peço que me perdoes as minha assim como eu te perdoo as tuas. Afinal ser-mos francos não será um pescado assim tão grande. Abraço Eduardo.
Eliminar:))) vens bem disposto! Eu tenho "pencado" muito e escrito ainda mais... acho que as minhas costas se zangaram comigo por escrever tanto e a cabeça também... por eu "pencar" tanto! Mas olha que também estou bem disposta! :))))
EliminarAbraço grande!
Ok! Prometo-te que vou "pencar" nisso! :)) E também é verdade que não tenho pescado quase nada. Nem por pensamentos, nem por palavras, nem por obras... tenho escrito tanto que me não sobra tempo para pescar ;))
EliminarAbraço grande!