SONATA


  


 


                              1                              


 


 


Ando a espalhar, ao vento vário, uns sonhos


tão pobres e cansados


que só os pobres pobres como eu


- até de mim o sou ... -


lhes falam n`alma.


Uns sonhos mortos-vivos


onde a lua ainda é madre de poesia


e o mar e o céu jogam ondas e estrelas,


no regaço da noite, às escondidas.


 


Pesado de remorsos


dumas horas bravias e carnais,


pigarreando entre esboços de rezas


aguados versos,


ando a espalhar, ao vento vário, uns sonhos.


Semeador mal-parado neste mundo,


tudo me diz que é outra a minha leiva.


Mas o caminho certo, quem o sabe,


aonde nem os santos o calcaram


livres de enganos e visões de medo?


 


 


In "Linha de Terra", Lisboa, 1951

Comentários

  1. Respostas
    1. Olá, Peter! É apenas a primeira parte de um longo poema. Se puder, ainda publico a segunda parte hoje.
      Ontem acabou-se-me o tempo antes de conseguir terminar :(
      Bacini!

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares