GRANDE MERGULHO
No fundo do mar,
no fundo, no fundo
dum mar que não é
nem do céu
nem do mundo,
nas velhas areias
entre algas em feixes,
conchinhas, moluscos,
luzentes escamas
de meigas sereias
e rápidas flamas
do arco-íris dos peixes,
a chave lá está.
Quem desce a buscá-la?
Cem anos, mil anos,
mil anos e um dia,
alguém que tecia
a mística rede
com sonhos humanos,
naufrágios e sede,
martírios e crimes,
geométricos gritos
e poemas sublimes,
bordões de viola
e nós de infinitos,
num pronto apanhou-a!
Se chega cá acima;
ao Cabo ou ao Polo,
ao Havre ou ao Goa
ou mesmo a Lisboa!...
Mas, longa, a subida,
mais longa, demora
a conta sabida:
A hora por hora
é sempre uma vida.
In "Sete Luas", Lisboa, 1954
Imagem retirada da internet

Olá miga. Maria João. É admirável, a inesgotável fonte de poesia, que o teu ente querido, deixou como espólio, quando da sua partida. e tu como, sua sucessora, tão bem tens sabido conservar e divulgar. parabéns por isso. Um grande abraço. Deste amigo Eduardo. P. S. adicionei, aos meus favoritos.
ResponderEliminarObrigada amigo Eduardo! Que pena foi ele ter deixado de escrever ainda tão novo... bem, novo para escritor.
EliminarDepois da morte da minha avó teve o primeiro acidente vascular cerebral - foi o primeiro de uma série deles - e embora se tivesse mantido lúcido, entrou numa desistência total. Desistiu com pouco mais de sessenta anos.
Um grande abraço!
Oi poetisa, mais um belo poema ancestral, não é ?????
ResponderEliminarJá cá estou , mas não muito inspirado....
bacini
Ancestral e intemporal, Peter. É curioso... eu também estive em crise produtiva durante todo o fim de semana. Provavelmente, no meu caso, é porque estou com uma sinusite aguda que me obriga a tomar analgésicos, de tal forma tem doído. Não sei... só sei que não escrevi nem um décimo do que costumo escrever durante o fim de semana e tenho perfeita consciência de que os sonetos de hoje não são nada bons... vou publicá-los apenas para fazer jus à tag de "um soneto por dia".
EliminarBacini!