FLOR DO CÉU

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FLOR DO CÉU

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Eras ingénua, mas no teu olhar
Havia a oculta dôr dos Universos

E foi às tuas formas de luar

Que eu fui buscar a forma dos meus versos.



Por teu sorriso e jeito de falar,

Fazias bons ainda os mais perversos,

Que às tuas Mãos erguidas a rezar,

Vinham beijos de Deus cair, dispersos!



As mãos das criancinhas, mais as flores,

Por sobre teu caixão rezaram dores...

E tu dormias, sossegada e calma



E sorrias à Morte num sorriso

Que enchia a casa como um Paraíso

Do perfume sem par da tua Alma!



António de Portucale

(pseudónimo de António de Sousa, na sua juventude)

 

In "O Encantado" - Homenagem feita ao jovem poeta pela Renascença Portuguesa, em 1919.

Desenhos, capa e vinhetas de Eduardo Malta.

 

 

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