DUALIDADE

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 O vento - esse frade rouco -

foi quem disse: - Vem daí

e terás, só para ti,

o forro do meu bioco!

 

E eu fui o vento, por pouco!

Cobri-me de asas, parti

para um céu onde vivi

horas de santo e de louco.

 

(Oh, meu extâse de imagens!

Naufrágios de alma! Destroços!

Abismos! Vagas miragens!)

 

Voltei num corpo de chama,

mas as palavras são ossos;

Poeta, é este o meu drama!

 

António de Sousa

 

In "LIVRO DE BORDO" , 1ª Edição, Editorial Inquérito

Comentários

  1. Como é que não vi esta dualidade? Leio com calma e dá mesmo aue pensar! Realmente a dualidade encontra-se presente em tanto na vida! Mil beijinhos amiga linda, tatde inspirada e cheia dessa força que é tua! 🌷🌼❤

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    1. E como não vi eu este teu comentário, Sandra?

      Obrigada e um grande beijinho

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